11/02/2020

Módulo 1







Na manhã do dia 08/fevereiro, encontrei Michele e Keila na calçada. Tocamos a campainha, Mara abriu a porta e comentou que a dormida tinha sido boa, que adorou o chuveiro!!!😊 Irei conhecer no próximo mês, quando também ficarei para dormir, pois sair tarde, pra mim que moro distante, e voltar cedo acaba por desgastar um pouco.

O reencontro de todos foi se dando na sala de alimentação, durante o cafezinho. As atividades iniciaram com o círculo da palavra e uma dança circular, que nos preparou um dia teórico sobre a Introdução ao campo da Psicologia Transpessoal no Brasil. Conhecimento muito bem conduzido por Luiz Berni, que revelou sua extensa bagagem/competência através dos elos feitos durante a exposição dialogada. Foi interessante ouvir inquietudes, opiniões e questionamentos de pessoas já engajadas em muitos dos pontos abordados. Posso destacar as participações e viés de diferentes olhares como do Bruno (Ciências Sociais), Luiza  e Laura (ambas psicólogas, que pontuaram, entre outras coisas, sobre a questão da branquitude eu desconhecia, mas coloquei um link aí ao lado que explica), Ricardo (TI), Tânia (Medicina), Camila (Engenharia), entre tantos outras. 

Almoçamos, no jardim, uma deliciosa feijoada vegetariana preparada com todo amor por Renata e sua equipe. Sentei-me a mesa com Adriana, Laura, Carol, Sílvia, Heloísa e Ricardo, falamos sobre nossas buscas, alterações de rotas, criação de filhos, compartilhamos sugestões de documentários e filmes. O dia todo transcorreu com o visível cuidado  e carinho dos focalizadores da Unipaz com todos nós.

Terminado o conteúdo teórico, vivenciamos duas danças circulares, uma com o passo do EU SOU, outra em que com os olhos nos olhos da(o) parceira (o) e as mãos nos corações (um do outro) cantamos o compromisso de cuidar (eu cuido de você, você cuida de mim), na roda a girar. Momento em que os olhares falaram e alguns até choraram. O ritmo dos passos, da música, do canto, dos toques, geraram uma frequência de paz e bem. Em cada abraço trocado, a força de uma emoção agradecida. 



Sai de lá quase volitando. Na despedida,  Luiza verbalizou a sensação que tive ontem...de que nos reencontramos. Da Beth recebi um gostoso abraço dizendo que tinha gostado muito de me conhecer, a recíproca é verdadeira. Delas duas trago uma boa sensação, desde  o instante que as vi.

Primeiro passo

Amanheceu um dia lindo, ensolarado e de céu azul. Acordei feliz por saber que daria um passo em direção a mim, rompendo uma certa inércia, disposta a trilhar um caminho que sempre me atraiu. E no Feed do meu Facebook um recado que fez todo o sentido:



Sai de casa bem mais cedo que o previsto para evitar qualquer engarrafamento maluco, fui a primeira da turma a chegar. Já na calçada, recebi um olá de boas vindas da Renata, na recepção abraços de Michele, Josy, César...logo depois chegaram Mara e Sueli, literalmente de mala e cuia, elas vinham de Sao José do Rio Preto. Fui para o jardim, sentei, respirei, fotografei, escrevi e agradecida me emocionei. Vi muita gente chegar passando por mim, eram meus novos parceiros de jornada. 


Sorvi um pouco do tempo em minha companhia a observar; ouvi o canto dos pássaros, como a celebrar a nossa chegada; encantei-me com a beleza das plantas e arvore no local, a delicadeza dos sinos dos ventos. Identificar o símbolo celta no corpo do beija-flor foi a certeza que cheguei ao novo ponto de partida.

E assim, dirigi-me a sala em que estava sendo servido um café com bolos deliciosos e uma gostosura de pão integral, tudo preparado pela equipe da cozinha de lá.  Troquei impressões sobre a acolhida  com Luiza e conheci um pouco da história da Beth, que estava muito feliz com o incentivo que recebeu do filho para ali estar. No olhar delas, senti algo que me deu a sensação de reencontro.

O facilitador Luiz Berni ( Professor e Doutor em Psicologia) chegou e fomos convidados para nos dirigir a sala de práticas. A noite começou com o canto de Vivian Amarante, cuja letra lembrava a importância de desacelerar, seguida pela entrada ao som do tambor, da Célia Gomes Chaves, que nos brindou com a história de Pedro e o Fio Mágico. Chorei ao pensar o quanto desse fio já se desfez, mas que constitui o que hoje sou...e o quanto de fio ainda resta pra realizar...

                 (Vivian Amarante, responsável pelo convite e inspiradora de minha coragem em aceitar)

Com o Círculo da Palavra, exercitamos a arte da escuta, foi possível identificar que as falas se complementavam e ressoavam insights e desejos que enxergava meus também. No momento que falei, uma alegria muito grande tomou conta de mim, agradeci a Deus e manifestei minha busca, minha entrega e vontade de mergulhar em mim para (re)encontrar a rota.

Na formação da primeira dança circular ao som de músicas hebraicas, senti um certo desconforto ao ter que dar as mãos, pois tenho as mãos úmidas e no contato suam bastante, mas resolvi desencanar e aproveitar. Foi lindo, senti-me em um baile medieval. Berni utilizou várias composições de passos que promoviam a harmonização do grupo, trazendo leveza, alegria, cooperação e integração. Quando dançamos ao som indígena e de olhos fechados, a sala com iluminação em penumbra, os passos foram marcados por batidas de pés fazendo com que a dança se apoderasse da música, senti meu corpo sutilmente envergar, senti-me uma índia em um terreiro de uma tribo. Verbalizamos os sons das vogais dos nossos nomes no ritmo da música, a vibração em energia só subia, vozes em uníssono a se complementar, colorido de sons e vidas. O calor que se fez, aconchegava o espírito. Ao deitar no chão foi possível sentir e ouvir o pulsar do coração, percebendo a vida em mim, aflorada em busca do que mais pode ser feito para contribuir agradecida por aqui estar. 

A experiência da dança trouxe uma sensação genuína de alegria e uma saudade, que não sei explicar, talvez de tempos outros assim vividos por minha criança interior. No círculo da palavra, para fechar as atividades do dia, Heloísa destacou meu sorriso e alegria durante a prática, como algo que tinha chamado positivamente a sua atenção.

Retornei para casa nutrida de bons sentimentos vivenciados naquela sala, que se tornou menor, por tanto do tudo que lá transbordou. Dormi profundamente, não recordo o que sonhei, acordei radiante por mais um novo dia de aprendizado na Unipaz.