10/03/2020

Segundo passo

Apaguei a 1h da manhã, após uma boa conversa com a Mara e a Sueli (que dormiu antes embalada por nossas vozes). Amanheci cheia de vontade de me nutrir um pouco mais do saber da Lydia. 

Após muitos abraços trocados e café tomado, fomos convidados para uma vivência corporal. Lydia propôs que caminhássemos silenciosamente pelo jardim. Ao som de uma música instrumental, deveríamos olhar com atenção para os detalhes da natureza que nos rodeia, sentir a música, permitir o corpo se envolver com o tempo e o espaço. Ela pausou a música em 03 momentos  distintos para fazer as seguintes perguntas, deveríamos apenas parar, ouvir, refletir e continuar caminhando:

1. Qual sua expectativa quanto ao dia de hoje?
2. Quais seus medos, seus receios?
3. O que você sente agora?

Foi muito gostosa a experiência de observar os detalhes do jardim, cores, cheiros e texturas das plantas, os sinos dos ventos, caminhar observando os próprios passos, sentir o vento no rosto, o calor do sol, ter o cuidado de me mover e me expressar corporalmente entre as pessoas sem receio de qualquer julgamento. Foi gratificante acolher o dia, o momento, e o que sou (aqui/agora)...acolher incondicionalmente o que sinto. Feito isto, retornamos à sala e fiz este registro abaixo, felizes e refeitas para um novo dia de aprendizado.


(Mara e Sueli)



Lydia não só nos falou como demonstrou a importância do Educar para a Inteireza. Além de todo conteúdo teórico sobre o qual me senti passear com a sua brilhante condução, transcrevo frases dela que, falando da vista de um ponto, me fisgaram: 

- A existência é uma trilha, período que compreende do nascimento a passagem.

- O julgamento é o fracasso da compreensão de abraçar junto texto e contexto.


- Na alma, tudo que a gente nega, acabamos por fortalecer. Na alma nenhuma imposição funciona. Qual a morte psíquica que você não está deixando ir?

- O oposto da depressão é vitalidade (importante o corpo redescobrir, coloque o corpo em movimento).

- O suicida (dificuldade m deixar morrer um jeito de ser) acredita que acabando com o corpo, a vida termina, e não é assim.

- Quando digo que estou com medo (eu me confundo com ele); quando digo que o  medo está presente (Posso questionar: Que medo é esse? - oportunidade de ressignificar).

- Eu não devo, EU POSSO. Eu não devo nada, eu sou livre, logo posso escolher.

- Gastamos mais energia tentando não enxergar, é mais fácil encarar do que fugir.

- Relaxamento é medicação de uso contínuo.

- Não existem culpados, não existem vítimas. É preciso assumir a paternidade e maternidade de minha alma.

- Tarefa de vida - Parir a nós mesmos todos os dias.

- Desejo, como sujeito do desejo, mudar algo?

Para eliminar um pouco do cansaço, Lydia conduziu a técnica de relaxamento progressivo  de Jacbson, que envolve apertar um grupo muscular, mantendo o resto do corpo relaxado, e , em seguida, libertar a tensão.

Ao longo do dia, tivemos mais duas vivências, uma no final da manhã e outra no final da tarde:

1. A turma foi convidada a se reunir em duplas, requisito era que a dupla não se conhecesse. Sentadas, uma frente a outra, Lydia conduziu um relaxamento guiado. Ao concluir, pediu para que a dupla decidisse quem seria a terapeuta e a paciente. Na sequência, pediu que a paciente pensasse em alguém do seu convívio e visualizasse a pessoa. Pediu a terapeuta que acompanhasse, de olhos fechados, uma contagem/ relaxamento. Concluído esse momento, a paciente falava para a terapeuta o  nome/idade/local onde a pessoa visualizada mora. A terapeuta, de olhos ainda fechados, poderia dizer tudo que vinha a sua mente a respeito da pessoa em questão. Fiz par com a Jéssica, durante a contagem tive a sensação de que os números tentavam aparecer em minha tela mental, depois senti uma forte sensação de peso em meu braço esquerdo, além da vontade de verbalizar três palavras : amigo, confiança e leveza. No fechamento, em conversa com a Jéssica, ela revelou congruência quanto aos breves dados fornecidos.

2. Psicodrama - A turma foi convidada a se reunir em grupos de 4 a 5 pessoas. Lydia conduziu um novo relaxamento guiado solicitando que todos, de olhos fechados, procurássemos observar o que fazemos ao longo de um dia e percebêssemos algo que nos  incomoda  em nosso cotidiano particular. Depois, cada pessoa do grupo, tinha até 1 minuto para contar o que tinha descoberto sobre si. Três das 4 histórias do nosso grupo tiveram relação direta com a questão alimentar/ falta de autocuidado. Cada grupo escolhia uma pessoa para representar a temática do grupo, que depois de contada para a turma, uma história foi escolhida para ser trabalhada no Psicodrama da Esfinge. 

Momento 1 - Laura como protagonista conta o recorte de sua história já pré-determinado com Lydia (Momento que a médica atende o telefone e diz que sairá para jantar em 2h), Beth (boi), Dani (Leão), Cláudia (Águia) e Geórgea (Serpente). 

Momento 2 - Laura como espectadora (o EU que observa) , escolhe Mônica para assumir seu lugar e Geórgea (Serpente) propõe uma nova configuração Cláudia (boi), Beth (Leão),  Dani (Águia). Mônica verbaliza tudo o que, certamente, Laura pensou em dizer a médica no momento vivido no passado e que gerou o trauma (parto cesáreo).

Momento 3- Laura como protagonista escolhe Tânia para representar a médica e Luiza como sua filha. O momento do parto/nascimento é revivido de forma emocionante e libertadora.

Fechamento com o relato de cada personagem e as impressões de Laura sobre a terapia vivenciada.

Concluímos o dia em um linda ciranda cantando uma cantiga puxada por Natália:

"Eu vim do corpo da minha mãe
Ela me deu semente boa
Nutre meu corpo, se espalha em bênção
Sou plantadeira de semente boa"



Nenhum comentário:

Postar um comentário