06/04/2020

3o. Passo

Diante de um cenário atípico sendo vivido mundialmente (pandemia), nosso terceiro passo se deu de forma virtual, na noite do Dia 03 de abril, em uma sala do Zoom. Após as boas vindas, Mônica Baliu propôs uma atividade de Dança em Cadeiras. Deu pra sorrir e relaxar com muito bom humor.




Nelma , nossa Coordenadora do Curso, chegou na sequência dando as boas vindas e nos convidando para falamos sobre o Momento Atual: Nossos Sentimentos e Nossas Ações. Fomos divididos em Grupos (5 pessoas) – Total tempo 10 min. Cada participante teve 2 min para falar. Cada grupo elegeu um relator e um guardião do tempo.

• Perguntas:
1- Como estou me sentindo diante do cenário atual?
2- Que atitude transpessoal eu estou realizando?

Particularmente, eu me sinto de volta pra casa, para um ninho muito interno e particular. Mais próxima de minhas percepções e sentimentos mais aflorados. Consciente de que preciso manter os pensamentos elevados, me cuidar através do que consumo, seja para o corpo ou espírito. De atitude transpessoal tenho feito meditação, autoaplicado reiki, observando mais o que devo agradecer e me conectando melhor com o Universo/ Deus.

Durante a plenária para a partilha das respostas dos grupos, sobre a questão 1 as palavras mais citadas foram ansiedade, medo, insegurança, preocupação. No entanto, houve também respostas como "desenvolvendo o  auto-controle" , "cuidando da saúde", "deixando a mídia de lado", aceitação. Quanto a questão 2 destaco: resgate de talentos, convívio com entes queridos, oração, escuta, acolhimento, busca maior de auto-conhecimento, presença, reavaliação de comportamentos/observando mais as próprias atitudes, abrir mão do controle, práticas de ação/ecologia social (solidariedade). Unânime foi a prática da meditação para ampliar o sentimento de viver um dia de cada vez. Assim, concluímos a importância de estarmos centrados olhando a realidade como ela se apresenta.

Na sequência, Nelma, falou sobre a  Pedagogia da Cultura de Paz _ Um movimento de educação,
cuidado e práticas integrativas para o despertar de uma consciência de inteireza, rumo à sustentabilidade com ética e respeito à vida. (Pedagogia Iniciática – Pierre Weil, Roberto Crema e Jean-Yves Leloup). A construção da cultura de paz começa no nível individual.

Indivíduo - Sociedade - Natureza

Pierre Weil  refere que o ser humano é parte integrante de uma  matriz (Matriz Holopoiética Fundamental) _ holo , todo; poiese exprime ideia de criação.



Por conseguinte, o ser humano também integra em si: informação (mente), vida (emoções) e matéria (corpo).



Na sua mente, o ser Humano separa-se do Universo e cria a fantasia da separatividade, uma ilusão. A sua mente esquece-se de que a NaturezaSociedade e o Indivíduo são indissociáveis. E mais ainda, a Consciência Individual acha-se separada da Consciência Universal (Deus). E dentro dele mesmo, a sua mente (informação) separa-se das emoções (Vida) e do corpo (Matéria)

Começa, então, o processo de destruição da ecologia pessoal e a fragmentação atinge a pessoa Humana como Ser. Na sua mente, a fantasia da separatividade gera um paradigma de fragmentação e de reducionismo.


Porque se acha separado de tudo, o indivíduo gera emoções destrutivas no plano da vida (emoções) , mais particularmente o apego e a possessividade de coisas, pessoas e ideias que lhe dão prazer. Por causa das emoções destrutivas o estresse destrói o equilíbrio do corpo.

Ao se achar separado da sociedade, o ser humano criou uma cultura fragmentada, uma vida social e política violenta, assim como condições econômicas de exploração e miséria. A desarmonia social reforça por sua vez o sofrimento do indivíduo. A sociedade possessiva de exploração do ser humano pelo ser humano estende a sua separatividade na exploração desenfreada da natureza.
O desequilíbrio da ecologia da Natureza ameaça, por sua vez, o equilíbrio do ser humano. E assim está montado o círculo vicioso auto-reforçador da autodestruição do ser humano e da vida planetária – Roda da Destruição:
O desafio é cultivar em nós a consciência necessária de primeiro admitir que estamos num sistema disfuncional, para depois aceitar que temos que começar a curar o Planeta Terra e toda a vida que nele existe. Temos que começar primeiro em nós próprios através da arte de viver em paz conosco, com os outros e com a natureza. Fato: Escolhas e ações no nível individual refletem no outro. A grande crise da humanidade parte da crença de que o que eu faco comigo não reflete no outro, nem no meio ambiente.
A paz só é possível através de uma plena consciência porque as guerras nascem no espírito dos  homens, logo é no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz. (Pierre Weil) - Processo de RE-integração.  Círculo virtuoso da paz:

Abordagem Transdisciplinar Holística



É um Projeto de Si Mesmo:
desenvolve-se a partir de um
processo co-formativo
visando a emergência do
sujeito.

Precisamos observar as funções psíquicas, identificar quais as que predominam e quais as que devemos despertar em nós mesmos. Reconhecer o que precisa ser trabalhado traz para o consciente, depois disso é treinar para acessar a plenitude em mim.

Transpessoalidade demanda entrega total e absoluta, treino e sair do controle.

10/03/2020

Segundo passo

Apaguei a 1h da manhã, após uma boa conversa com a Mara e a Sueli (que dormiu antes embalada por nossas vozes). Amanheci cheia de vontade de me nutrir um pouco mais do saber da Lydia. 

Após muitos abraços trocados e café tomado, fomos convidados para uma vivência corporal. Lydia propôs que caminhássemos silenciosamente pelo jardim. Ao som de uma música instrumental, deveríamos olhar com atenção para os detalhes da natureza que nos rodeia, sentir a música, permitir o corpo se envolver com o tempo e o espaço. Ela pausou a música em 03 momentos  distintos para fazer as seguintes perguntas, deveríamos apenas parar, ouvir, refletir e continuar caminhando:

1. Qual sua expectativa quanto ao dia de hoje?
2. Quais seus medos, seus receios?
3. O que você sente agora?

Foi muito gostosa a experiência de observar os detalhes do jardim, cores, cheiros e texturas das plantas, os sinos dos ventos, caminhar observando os próprios passos, sentir o vento no rosto, o calor do sol, ter o cuidado de me mover e me expressar corporalmente entre as pessoas sem receio de qualquer julgamento. Foi gratificante acolher o dia, o momento, e o que sou (aqui/agora)...acolher incondicionalmente o que sinto. Feito isto, retornamos à sala e fiz este registro abaixo, felizes e refeitas para um novo dia de aprendizado.


(Mara e Sueli)



Lydia não só nos falou como demonstrou a importância do Educar para a Inteireza. Além de todo conteúdo teórico sobre o qual me senti passear com a sua brilhante condução, transcrevo frases dela que, falando da vista de um ponto, me fisgaram: 

- A existência é uma trilha, período que compreende do nascimento a passagem.

- O julgamento é o fracasso da compreensão de abraçar junto texto e contexto.


- Na alma, tudo que a gente nega, acabamos por fortalecer. Na alma nenhuma imposição funciona. Qual a morte psíquica que você não está deixando ir?

- O oposto da depressão é vitalidade (importante o corpo redescobrir, coloque o corpo em movimento).

- O suicida (dificuldade m deixar morrer um jeito de ser) acredita que acabando com o corpo, a vida termina, e não é assim.

- Quando digo que estou com medo (eu me confundo com ele); quando digo que o  medo está presente (Posso questionar: Que medo é esse? - oportunidade de ressignificar).

- Eu não devo, EU POSSO. Eu não devo nada, eu sou livre, logo posso escolher.

- Gastamos mais energia tentando não enxergar, é mais fácil encarar do que fugir.

- Relaxamento é medicação de uso contínuo.

- Não existem culpados, não existem vítimas. É preciso assumir a paternidade e maternidade de minha alma.

- Tarefa de vida - Parir a nós mesmos todos os dias.

- Desejo, como sujeito do desejo, mudar algo?

Para eliminar um pouco do cansaço, Lydia conduziu a técnica de relaxamento progressivo  de Jacbson, que envolve apertar um grupo muscular, mantendo o resto do corpo relaxado, e , em seguida, libertar a tensão.

Ao longo do dia, tivemos mais duas vivências, uma no final da manhã e outra no final da tarde:

1. A turma foi convidada a se reunir em duplas, requisito era que a dupla não se conhecesse. Sentadas, uma frente a outra, Lydia conduziu um relaxamento guiado. Ao concluir, pediu para que a dupla decidisse quem seria a terapeuta e a paciente. Na sequência, pediu que a paciente pensasse em alguém do seu convívio e visualizasse a pessoa. Pediu a terapeuta que acompanhasse, de olhos fechados, uma contagem/ relaxamento. Concluído esse momento, a paciente falava para a terapeuta o  nome/idade/local onde a pessoa visualizada mora. A terapeuta, de olhos ainda fechados, poderia dizer tudo que vinha a sua mente a respeito da pessoa em questão. Fiz par com a Jéssica, durante a contagem tive a sensação de que os números tentavam aparecer em minha tela mental, depois senti uma forte sensação de peso em meu braço esquerdo, além da vontade de verbalizar três palavras : amigo, confiança e leveza. No fechamento, em conversa com a Jéssica, ela revelou congruência quanto aos breves dados fornecidos.

2. Psicodrama - A turma foi convidada a se reunir em grupos de 4 a 5 pessoas. Lydia conduziu um novo relaxamento guiado solicitando que todos, de olhos fechados, procurássemos observar o que fazemos ao longo de um dia e percebêssemos algo que nos  incomoda  em nosso cotidiano particular. Depois, cada pessoa do grupo, tinha até 1 minuto para contar o que tinha descoberto sobre si. Três das 4 histórias do nosso grupo tiveram relação direta com a questão alimentar/ falta de autocuidado. Cada grupo escolhia uma pessoa para representar a temática do grupo, que depois de contada para a turma, uma história foi escolhida para ser trabalhada no Psicodrama da Esfinge. 

Momento 1 - Laura como protagonista conta o recorte de sua história já pré-determinado com Lydia (Momento que a médica atende o telefone e diz que sairá para jantar em 2h), Beth (boi), Dani (Leão), Cláudia (Águia) e Geórgea (Serpente). 

Momento 2 - Laura como espectadora (o EU que observa) , escolhe Mônica para assumir seu lugar e Geórgea (Serpente) propõe uma nova configuração Cláudia (boi), Beth (Leão),  Dani (Águia). Mônica verbaliza tudo o que, certamente, Laura pensou em dizer a médica no momento vivido no passado e que gerou o trauma (parto cesáreo).

Momento 3- Laura como protagonista escolhe Tânia para representar a médica e Luiza como sua filha. O momento do parto/nascimento é revivido de forma emocionante e libertadora.

Fechamento com o relato de cada personagem e as impressões de Laura sobre a terapia vivenciada.

Concluímos o dia em um linda ciranda cantando uma cantiga puxada por Natália:

"Eu vim do corpo da minha mãe
Ela me deu semente boa
Nutre meu corpo, se espalha em bênção
Sou plantadeira de semente boa"



09/03/2020

Módulo 2



Amanheci feliz pela oportunidade de ir para mais um módulo, cuja leitura sugerida do 10o. capítulo (A energia do corpo humano) do livro  de Pierre Weil (O corpo fala) já agitou uma interessante discussão no grupo de Whatsapp da turma.

Boi - Abdômen - Vida instintiva e vegetativa
Leão - Tórax- vida emocional
Águia - cabeça -vida mental (intelectual e espiritual)
Homem - conjunto - consciência e domínio dos três inconscientes anteriores.

Mais que pano pra manga, pano pra roupa toda, como diria a futura facilitadora do módulo.

Arrumei a mala, literalmente, e segui para Unipaz. Resolvi dormir lá, pois como a aula termina às 22h30, retornar tarde para casa e sair cedo, na manhã seguinte, me deixaria cansada e desperdiçar energia nem pensar.

Ao chegar na Unidade às 14h20 para aula de aprofundamento, já encontrei minhas colegas de pernoite,  Mara e  Sueli, que me acolheram no espaço em que repousaríamos ao final do dia. 


- Primeiro Momento - 

Manoel Simão falou sobre a Chegada da Psicologia Transpessoal no Brasil, através de fotos e fatos que ilustraram a vinda de Pierre Weil e o nascimento da Unipaz. Comentou sobre estados de consciência e normose, temas que seriam melhor explorados no módulo da noite. Propôs que cada um refletisse sobre os tipos de comportamentos normóticos destrutivos que identificamos em nosso estilo de vida, fizesse uma lista e usasse como estímulo para despertar e modificar aquilo que incomoda.

Essa aula da tarde me fez ver que, quando eu era criança, o caminho, em que hoje chego, estava começando a ser produzido em nosso país. Terapias integrativas como Reiki e Patchwork já foram citadas por amigas, como algo que me viam conduzir, que achavam a minha cara. Eu não estava com a visão, audição e nem percepção apurada, mas se há tempo, esse tempo é agora. 

- Segundo Momento - 

Antes do início da aula da noite, Geórgia e enquanto subíamos a escada, cruzamos com uma jovem senhora muito simpática que ia descer, eu indaguei: - "Você vai estudar com a gente? Tudo bem? Eu me chamo Aline!" Ela respondeu sorrindo: "É, vou..." Enquanto Geórgia a cumprimentava, comentei: "-Engraçado, acho que vi sua foto em algum lugar". E seguimos. Ao chegar na sala de aula foi que entendi tudo...havíamos cruzado com a educadora Lydia Rebouças, psicóloga e Mestra em Psicologia, com 35 anos de experiência na área clínica, co-fundadora da UNIPAZ no Brasil e Vice-reitora da Rede UNIPAZ.

Lydia, uma mestra humilde e muuuuuuuuuuuuito sábia. Costurou nossa sexta e sábado com tantos fios de conhecimento e impressionante leveza. Ela nos contou sobre como surgiu a Unipaz, sobre a linda amizade e parceria com Pierre Weil e Roberto Crema. Os frutos advindos do encontro dessas almas, colhe(re)mos nesta formação transpessoal.

Na hora do intervalo, o cheirinho das delícias, que Renata e sua equipe preparam, entrando na sala, Lydia disse, antes de nos liberar: "Quando associamos uma comida saborosa a comida de mãe é porque , no fundo, nossa fome é de amor, portanto, salivem amor, mastiguem amor, engulam amor. "

Pra mim, o ponto ápice da noite foi a lição sobre PISAR x PESAR 
Pisar, sigla composta pelas palavras: 
Percepção
Imaginação 
Sentimento 
Ação 
Reação. 

Pisar, ação de pôr os pés sobre, calcar, espezinhar, aplicando o próprio peso sobre algo ou alguém e exercendo sobre ele a ação da gravidade.

Pesar, sigla que representa a solução do conflito, pela substituição do processo de imaginação por uma estimativa, formando uma nova estratégia de ação: 
Percepção
Estimativa 
Sentimento 
Ação 
Reação

Pesar, uma palavra polissêmica, que tanto pode ter o sentido de causar dor, como de avaliar o peso, ação normalmente feita com o auxílio de uma balança, que simboliza a própria justiça, traduzida em equilíbrio e ponderação.

Exemplo sobre O PISAR

Ocorrência: Saio para caminhar pelo condomínio, cruzo com meu vizinho e dou "bom dia!"

Percepção: não ouço resposta nenhuma.
Imaginação: Por que ele não me respondeu? Será que está aborrecido comigo? Mas eu não fiz nada! Ele é que é mal educado.wh
Sentimento: estou começando a sentir raiva desse vizinho.
Ação: Não vou mais cumprimentá-lo
Reação do vizinho: Não sei o que aconteceu com Aline, ela não fala mais comigo, quando nos encontramos, durante a caminhada pelo condomínio.

Resultado: Uma inimizade gratuita gerada pela falta de diálogo e esclarecimento.

Exemplo sobre O PESAR

Ocorrência: Saio para caminhar pelo condomínio, cruzo com meu vizinho e dou "bom dia!"
Percepção: não ouço resposta nenhuma.
Estimativa: Por que  será que ele não me respondeu? Será que ele está aborrecido comigo ou apenas distraído? Não tenho como saber o que acontece dentro da outra pessoa, se ela não me falar. Estou apenas pressupondo ou imaginando os motivos dele, mas não tenho como saber a verdade, se eu não lhe perguntar. Vou cumprimentá-lo novamente. Talvez eu tenha falado baixo demais.
Sentimento: Sinto-me aberto e disponível para continuar a conviver bem com meu vizinho.
Ação: Bom dia! (com um sorriso)
Reação do vizinho: Oi, Bom dia (com um sorriso)! Eu estava tao distraído tentando lembrar do que minha esposa pediu pra comprar, que nem tinha visto você

Percepção: meu vizinho sorriu pra mim.
Sentimento: gosto do meu vizinho e me sinto correspondido neste sentimento de fraternidade.
Ação: é assim mesmo, a vida é muito corrida (compreensão real do vizinho não ter lhe respondido).
Reação: cumprimentar o vizinho sempre que se encontrarem.

Ou seja, a chave da solução dos conflitos é a estimativa, quando nos predispomos a avaliarmos e estabelecermos relações interpessoais com base na verdade dita com amor, tanto para resolução de conflitos dentro de nós mesmos, quanto com quem convivemos.

Lydia concluiu que a forma mais elaborada de inteligência é ver o que é, a consciência é o EU que sai da cena e observa. Saí da aula instigada a exercitar cada dia, mais e mais, o meu EU observador. Meu objetivo agora é me aprofundar sobre o tema e colocar em prática uma questão em especial. 

11/02/2020

Módulo 1







Na manhã do dia 08/fevereiro, encontrei Michele e Keila na calçada. Tocamos a campainha, Mara abriu a porta e comentou que a dormida tinha sido boa, que adorou o chuveiro!!!😊 Irei conhecer no próximo mês, quando também ficarei para dormir, pois sair tarde, pra mim que moro distante, e voltar cedo acaba por desgastar um pouco.

O reencontro de todos foi se dando na sala de alimentação, durante o cafezinho. As atividades iniciaram com o círculo da palavra e uma dança circular, que nos preparou um dia teórico sobre a Introdução ao campo da Psicologia Transpessoal no Brasil. Conhecimento muito bem conduzido por Luiz Berni, que revelou sua extensa bagagem/competência através dos elos feitos durante a exposição dialogada. Foi interessante ouvir inquietudes, opiniões e questionamentos de pessoas já engajadas em muitos dos pontos abordados. Posso destacar as participações e viés de diferentes olhares como do Bruno (Ciências Sociais), Luiza  e Laura (ambas psicólogas, que pontuaram, entre outras coisas, sobre a questão da branquitude eu desconhecia, mas coloquei um link aí ao lado que explica), Ricardo (TI), Tânia (Medicina), Camila (Engenharia), entre tantos outras. 

Almoçamos, no jardim, uma deliciosa feijoada vegetariana preparada com todo amor por Renata e sua equipe. Sentei-me a mesa com Adriana, Laura, Carol, Sílvia, Heloísa e Ricardo, falamos sobre nossas buscas, alterações de rotas, criação de filhos, compartilhamos sugestões de documentários e filmes. O dia todo transcorreu com o visível cuidado  e carinho dos focalizadores da Unipaz com todos nós.

Terminado o conteúdo teórico, vivenciamos duas danças circulares, uma com o passo do EU SOU, outra em que com os olhos nos olhos da(o) parceira (o) e as mãos nos corações (um do outro) cantamos o compromisso de cuidar (eu cuido de você, você cuida de mim), na roda a girar. Momento em que os olhares falaram e alguns até choraram. O ritmo dos passos, da música, do canto, dos toques, geraram uma frequência de paz e bem. Em cada abraço trocado, a força de uma emoção agradecida. 



Sai de lá quase volitando. Na despedida,  Luiza verbalizou a sensação que tive ontem...de que nos reencontramos. Da Beth recebi um gostoso abraço dizendo que tinha gostado muito de me conhecer, a recíproca é verdadeira. Delas duas trago uma boa sensação, desde  o instante que as vi.

Primeiro passo

Amanheceu um dia lindo, ensolarado e de céu azul. Acordei feliz por saber que daria um passo em direção a mim, rompendo uma certa inércia, disposta a trilhar um caminho que sempre me atraiu. E no Feed do meu Facebook um recado que fez todo o sentido:



Sai de casa bem mais cedo que o previsto para evitar qualquer engarrafamento maluco, fui a primeira da turma a chegar. Já na calçada, recebi um olá de boas vindas da Renata, na recepção abraços de Michele, Josy, César...logo depois chegaram Mara e Sueli, literalmente de mala e cuia, elas vinham de Sao José do Rio Preto. Fui para o jardim, sentei, respirei, fotografei, escrevi e agradecida me emocionei. Vi muita gente chegar passando por mim, eram meus novos parceiros de jornada. 


Sorvi um pouco do tempo em minha companhia a observar; ouvi o canto dos pássaros, como a celebrar a nossa chegada; encantei-me com a beleza das plantas e arvore no local, a delicadeza dos sinos dos ventos. Identificar o símbolo celta no corpo do beija-flor foi a certeza que cheguei ao novo ponto de partida.

E assim, dirigi-me a sala em que estava sendo servido um café com bolos deliciosos e uma gostosura de pão integral, tudo preparado pela equipe da cozinha de lá.  Troquei impressões sobre a acolhida  com Luiza e conheci um pouco da história da Beth, que estava muito feliz com o incentivo que recebeu do filho para ali estar. No olhar delas, senti algo que me deu a sensação de reencontro.

O facilitador Luiz Berni ( Professor e Doutor em Psicologia) chegou e fomos convidados para nos dirigir a sala de práticas. A noite começou com o canto de Vivian Amarante, cuja letra lembrava a importância de desacelerar, seguida pela entrada ao som do tambor, da Célia Gomes Chaves, que nos brindou com a história de Pedro e o Fio Mágico. Chorei ao pensar o quanto desse fio já se desfez, mas que constitui o que hoje sou...e o quanto de fio ainda resta pra realizar...

                 (Vivian Amarante, responsável pelo convite e inspiradora de minha coragem em aceitar)

Com o Círculo da Palavra, exercitamos a arte da escuta, foi possível identificar que as falas se complementavam e ressoavam insights e desejos que enxergava meus também. No momento que falei, uma alegria muito grande tomou conta de mim, agradeci a Deus e manifestei minha busca, minha entrega e vontade de mergulhar em mim para (re)encontrar a rota.

Na formação da primeira dança circular ao som de músicas hebraicas, senti um certo desconforto ao ter que dar as mãos, pois tenho as mãos úmidas e no contato suam bastante, mas resolvi desencanar e aproveitar. Foi lindo, senti-me em um baile medieval. Berni utilizou várias composições de passos que promoviam a harmonização do grupo, trazendo leveza, alegria, cooperação e integração. Quando dançamos ao som indígena e de olhos fechados, a sala com iluminação em penumbra, os passos foram marcados por batidas de pés fazendo com que a dança se apoderasse da música, senti meu corpo sutilmente envergar, senti-me uma índia em um terreiro de uma tribo. Verbalizamos os sons das vogais dos nossos nomes no ritmo da música, a vibração em energia só subia, vozes em uníssono a se complementar, colorido de sons e vidas. O calor que se fez, aconchegava o espírito. Ao deitar no chão foi possível sentir e ouvir o pulsar do coração, percebendo a vida em mim, aflorada em busca do que mais pode ser feito para contribuir agradecida por aqui estar. 

A experiência da dança trouxe uma sensação genuína de alegria e uma saudade, que não sei explicar, talvez de tempos outros assim vividos por minha criança interior. No círculo da palavra, para fechar as atividades do dia, Heloísa destacou meu sorriso e alegria durante a prática, como algo que tinha chamado positivamente a sua atenção.

Retornei para casa nutrida de bons sentimentos vivenciados naquela sala, que se tornou menor, por tanto do tudo que lá transbordou. Dormi profundamente, não recordo o que sonhei, acordei radiante por mais um novo dia de aprendizado na Unipaz.